Kipchoge correu maratona abaixo das duas horas mas não vale como recorde mundial: saiba porquê

São várias as razões que impedem a homologação do brutal registo do queniano

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Os últimos metros da maratona de Eliud Kipchoge e a festa que se seguiu

Com um registo absolutamente brutal de 1h59m40, o queniano Eliud Kipchoge tornou-se este sábado no primeiro homem a correr a distância da maratona abaixo da barreira das duas horas, mas o seu tempo não poderá ser considerado como novo recorde mundial (tal como sucedeu em 2017 com o breaking2). Pelo menos não para a Federação Internacional de Atletismo (IAAF)...

Mas por que razão tal sucede? São várias as justificações, sendo que a infração de qualquer uma delas impediria desde logo a certificação do registo ao abrigo das regras da IAAF. Não se tratava, por isso, de uma acumulação de 'infrações', mas sim da violação de apenas uma delas.

As regras que foram 'violadas'

1. A prova tem de ser organizada sob a égide da IAAF ou pela Federação de Atletismo do país em questão.

2. As 'lebres' (os atletas que ditam o ritmo) não podem rodar entre si, entrando e saíndo da prova.

3. São obrigatórios controlos antidoping.

4. Os abastecimentos têm de ser recolhidos nos pontos de recolha definidos pelas regras e não serem entregues diretamente ao atleta. Em Viena, Kipchoge recebeu das mãos do seu agente e de outros membros da organização abastecimentos a cada 5 quilómetros.

5. Terão de existir pelo menos três participantes (para a distância completa).

6. O atleta não pode ser 'guiado' por um veículo a motor. Em Viena existia um carro à frente do pelotão a ditar o ritmo ideal.

7. O percurso tem de ser medido e certificado por um oficial de medições.

Foram pelo menos sete os pontos 'violados' por este registo histórico de Eliud Kipchoge, mas nem isso tira brilho ao feito alcançado pelo atleta queniano, tal como o próprio Sebastian Coe, presidente da IAAF, havia admitido há algumas semanas. "Não me parece que isso importe. É um enorme feito que seria alcançado e no nosso desporto há espaço para todo o tipo de registos. Além disso, creio que seria apelativo e irá acrescentar valor à modalidade".

Aliás, até o próprio Kipchoge desvalorizou o facto de não contar como recorde mundial. Numa conferência de imprensa realizada a dois meses do evento, na qual Record foi o único meio de comunicação português presente, o atleta queniano deixou claro que este objetivo passava essencialmente por "fazer história" e por "mostrar que o ser humano não tem limites".

Lembre-se que Eliud Kipchoge é o detentor do recorde mundial oficial da maratona, registado há um ano na Maratona de Berlim, quando cumpriu a distância em 2h01m39. Aliás, o queniano é o detentor de três dos sete tempos oficiais mais rápidos na distância (tem ainda 2h02m37 e 2h03m05).

Por Fábio Lima
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