Filipa Martins: «Tive o privilégio de viajar com Rafael Nadal no ‘cockpit’»

Em entrevista a Record, ginasta aborda carreira, recorda Rio'2016 e perspetiva presença em Tóquio

• Foto: DR Record
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Record – Quando é que começou o ‘bichinho’ pela ginástica?

Filipa Martins – Começou tudo com 4 anos mas, como é óbvio, não fui eu que escolhi ir para a ginástica. Foi por iniciativa dos meus pais. Comecei a praticar ginástica também no infantário e depois levaram-me para um clube. Foi assim que comecei. Os meus pais já diziam que eu em casa não parava quieta, que andava sempre às cambalhotas no sofá, na cama e começou assim. Aos poucos fui gostando cada vez mais e pedia sempre aos meus pais para me levarem à ginástica. Mesmo quando estava de castigo, eu chorava para ir [risos]. Comecei a competir a nível internacional em 2010, percebi que era algo que gostava de fazer e que poderia chegar mais longe, o que acabou por motivar-me.

R – Quão importantes são os pais na sua carreira?

FM – Os meus pais sempre me apoiaram em tudo e tentam estar presentes nas competições. Sem eles seria muito difícil gerir a minha vida, até porque comecei a ter treinos bidiários a partir dos 13 anos. Ir para o treino de manhã, depois ter aulas e ainda voltar para o treino... ajudaram-me muito em toda essa rotina.

R – Concilia a ginástica com o curso de Desporto na FADEUP. Foi ainda mais complicado gerir isso durante a pandemia?

FM – Mudou, mas acho que para melhor. Muitas vezes as aulas eram gravadas e então tinha hipóteses de descansar e ver as aulas depois. Não havia a necessidade de ir à faculdade, depois treinar e voltar às aulas. Então deu para gerir melhor toda essa azáfama que era andar de um lado para o outro. Com as aulas online é muito mais prático para nós.

R – Estando a tirar o curso de Desporto, o que espera fazer no futuro relacionado com a área?

FM – Gostava de continuar ligada à ginástica. Talvez ser treinadora ou outra coisa qualquer...

R – Consegue aproveitar o tempo livre após a competição?

FM – A ginástica consome muito tempo, mas consigo aproveitar mais ao fim de semana, se não tiver de estudar. Consigo dar um passeio e estar com a família. Mas arranja-se sempre tempo para tudo.

R – E como acaba por ser a rotina diária?

FM – Treino normalmente de segunda-feira a sábado. Tenho treinos bidiários três dias por semana e nos outros três dias faço três horas e meia de treino, de manhã ou de tarde. Encaixo as aulas lá no meio e descanso. 

R – Como analisa a evolução da ginástica em Portugal nos últimos anos e em que nível se compara a outros países?

FM – Primeiro de tudo, a ginástica não é uma modalidade muito conhecida em Portugal e acaba por ter falta de apoios. Há muita coisa que nós precisamos no dia a dia e não temos... A fisioterapia, por exemplo. E acho que esse é um aspeto que faz muito a diferença. Aos poucos Portugal está a conseguir crescer na ginástica, mesmo a nível internacional. Também porque tem conseguido alcançar alguns feitos. Mas isto tudo tem sido feito passo a passo para ver se chegamos lá acima. Mas, analisando a situação, acaba por ser muito complicado. Por exemplo, os treinadores no estrangeiro vivem só da ginástica e aqui é impossível. Um treinador em Portugal tem de conjugar a modalidade com outro emprego e não consegue dedicar o seu tempo apenas para a ginástica.

R – Atualmente é possível que um atleta em Portugal consiga viver apenas da ginástica?

FM – Não, isso acaba por ser mesmo impossível. Não dá para viver apenas da ginástica em Portugal. *

R – Que principais memórias guarda dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro? Já teve a possibilidade de conhecer algum ídolo ou referência da ginástica nessa competição?

FM – Estar nos Jogos é sempre aquele sonho de criança que qualquer atleta tem. Não dá para explicar bem como é aquele ambiente e como nos sentimos, mas consegui estar com muitas figuras do Desporto. As minhas principais referências são a Simone Biles - por acaso não consegui estar com ela no Rio -, Serena Williams e Rafael Nadal. Consegui tirar uma fotografia com a Serena Williams, mas não consegui falar com ela. Estava lá muita gente e ela já devia estar a pensar ‘saiam daqui’. Sobre o Rafael Nadal, por acaso tive o privilégio de viajar com ele para o Rio de Janeiro, no ‘cockpit’ do avião, e é uma pessoa cinco estrelas. É mesmo muito humilde e gostei de conviver com ele. E depois todo o ambiente nos Jogos é de outro mundo. Lembro-me de o Djokovic chegar à cantina após ter feito um grande torneio e todos lá presentes levantarem-se a bater-lhe palmas. É mesmo um ambiente muito bom... *

R – O que espera encontrar nos Jogos Olímpicos em Tóquio?

FM - Em relação a Tóquio, não sei muito bem como vai ser, até porque só podemos estar na Aldeia Olímpica cinco dias antes da nossa competição, por causa da Covid-19. Não vai haver público estrangeiro, por isso acho que vai ser um bocadinho diferente, apesar de ser um grande evento. Vamos ter de andar sempre de máscara... Vai ser uma realidade completamente diferente.

R – As notícias de um possível adiamento dos Jogos’2020 preocupam os atletas?

FM – O Comité Olímpico Português já nos confirmou que não será adiado, por isso não ligamos muito ao que sai sobre isso. Também já começámos a vacinação, portanto tudo deverá correr bem. 

Por Filipe Balreira
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